LEGATUS INDICA: Melhores livros sobre casas mal assombradas

Existe algo de contraditório e profundamente perturbador nas histórias das casas mal assombradas: aquela estrutura que deveria te abrigar e te acolher na verdade se volta contra você e destrói a sua sanidade mental.
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No folclore popular, uma casa mal assombrada é um local percebido como sendo habitado por espíritos desencarnados de pessoas que poderiam ou não ter habitado o local quando vivas. Alguns parapsicólogos atribuem as assombrações aos espíritos das pessoas que sofreram mortes violentas ou trágicas, como assassinato, morte acidental ou suicídio. O relato varia conforme a cultura e o país, mas o pano de fundo para o acontecimento é universal.
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Abaixo, listaremos 5 clássicos da literatura que abordam este tema.
“A Outra Volta do Parafuso” (1898) de Henry James. Este romance icônico de James ainda hoje desencadeia fortes debates a respeito da natureza dos eventos apresentados na história: ninguém sabe ao certo dizer se é uma história de fantasmas, uma contemplação sombria a respeito da perda de sanidade da protagonista ou um pouco de ambos. O texto base da história é o de uma jovem contratada para cuidar de duas crianças pequenas em uma mansão isolada no meio rural da Inglaterra. Ela se afeiçoa profundamente por eles e fica perturbada quando começa a ver duas pessoas misteriosas no terreno ao redor da casa. O sentimento de angústia aumenta depois de descobrir alguns fatos terríveis ​​sobre a governanta que ocupou o cargo antes dela. A sensação de incerteza inspirada pelo livro é proposital e faz parte do objetivo de Henry James. Não importa se você acredita ser uma história de fantasmas ou uma história de uma jovem com instabilidade mental. Em ambos os casos, você sentirá um pavor extremo a cada virada da página.
“A Assombração da Casa da Colina” (1959), de Shirley Jackson. Esta é uma escolha óbvia. Shirley Jackson certamente não inventou a história das casas mal-assombradas, mas ela com certeza a aperfeiçoou e a elevou para um outro nível, juntando a ideia de uma casa assombrada por um espírito malévolo e um grupo de pessoas curiosas com um narrador que vai se tornando cada vez menos confiável para o leitor à medida que o horror aumenta. A princípio, Jackson usa Eleanor, nossa porta de entrada na história, como uma figura reconfortante - nos vemos nela, nos relacionamos com seus traumas e desafios e até nos simpatizamos com ela. Mas, à medida que o desenvolvimento da história se aprofunda e a protagonista vai adquirindo traços alucinatórios e de negação da realidade, o leitor vai experimentando a ansiedade enquanto Jackson aprofunda o horror o espiral de degradação mental que Eleanor sofre. É possivelmente a melhor história de casa mal-assombrada já escrita.
“The House Next Door” (1978), de Anne Rivers Siddons. Este livro mostra que histórias assustadoras de casas assombradas nem sempre precisam acontecer em locais velhos. A casa em questão era nova, e a história é contada pela perspectiva não de seus habitantes, e sim pela dos vizinhos, que testemunharam os acidentes e tragédias ocorridos ao longo dos anos na casa. Stephen King afirmou em “A Dança Macabra" que este é um dos melhores livros do gênero no século XX.
"Burnt Offerings" (1973), de Robert Marasco. Atualmente, este livro não chama muita atenção e, geralmente quando é citado, é mais por causa da influência dele em "O Iluminado", de Stephen King. Mas o romance de Marasco foi um verdadeiro clássico precursor. Precedeu muitos dos grandes livros de casas mal-assombradas dos anos 70, incluindo não apenas o livro de King, mas também "O Horror de Amityville", de Jay Anson. Por essa e muitas outras razões, ele merece o devido reconhecimento dos novos leitores.
"Hell House" (1971), de Richard Matheson. Este não pode ficar fora da lista de jeito nenhum. Este romance é tão potente hoje como quando foi publicado. Um homem rico que está próximo da morte contrata um pequeno grupo para investigar se realmente existe vida após a morte. Eles se mudam para uma casa assombrada notória no Maine para explorar a questão. A casa, ou a entidade que lá vive, começa a usar as próprias fraquezas dos personagens contra eles, afastando seu senso de controle e seu domínio da realidade. Enquanto isso, Matheson faz o mesmo com o leitor - nos confunde e zomba de nosso sentido da realidade - até que, no clímax final, nossos sentimentos de inquietação explodem em puro terror. O livro é uma exploração visceral da ideia de que nós trazemos nossos demônios interiores conosco para onde quer que vamos.
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Qual é o seu romance favorito sobre casas mal-assombradas?

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