O que é Folk Horror?

O que você faria se descobrisse que a natureza do Universo é hostil, e que Deus é indiferente aos teus sofrimentos? Que os sistemas de consolação humana chamados de “religiões” na verdade são versões adocicadas da realidade última, criados unicamente para evitar a loucura total diante da falta de sentido da existência? São esses os temas que o horror cósmico lovecraftiano trata, e que também fazem parte do arco temático do folk horror, subgênero do horror que falaremos a seguir.
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Muitos já viram os filmes “Hereditário” e “Midsommar”, de Ari Aster, mas o que nem todos sabem é que esses filme fazem parte de uma antiga tradição literária e cinematográfica que nasceu no Reino Unido e aos poucos foi se espalhando por outros países.
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Três filmes britânicos são considerados os principais representantes desta escola temática chamada folk horror: "Witchfinder General" (1968), “The Blood on Satan’s Claw" (1971) e “The Wicker Man” (1973). Os temas comuns a essas 3 obras-primas do cinema são a ambientação rural, a ênfase no poder mítico e místico da natureza e o lado sinistro de comunidades rurais. Quando a moralidade conhecida é retirada, qualquer coisa, em teoria, se torna justificável ou desejável, e até mesmo os acontecimentos mais cruéis podem ser normalizados em um pequeno vilarejo que resolve criar seu próprio sistema de valores.
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A literatura também trabalhou com esses temas, e é impossível não citar “The White People” (1899) de Arthur Machen, “A Loteria” (1948) de Shirley Jackson, “As Crianças do Milharal”(1976) de Stephen King e “Harvest Home” (1973) de Thomas Tryon.
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Assim como suas contrapartes cinematográficas, as representações literárias do folk horror tendem a sublinhar a maravilha associada ao mais profundo horror no mundo rural. A natureza idílica e os aparentemente inofensivos pequenos vilarejos são representações deformadas de uma realidade que escapa ao nosso entendimento. E, quando entendidas, se revelam cruéis e malignas.
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1 comentário

  • Parabéns pelo artigo. Precisamos mais de artigos assim, diretos e práticos, mas com o conhecimento para nos causar curiosidade.

    Daniel Gárgula

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